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O que é cefaleia pós-raqui? Causas, riscos e soluções

Publicado em: 27/06/2025 - Atualizado em: 05/11/2025 senhor com dedo na testa sinalizando dor de cabeça

Você passou por um procedimento cirúrgico e tudo correu bem. Porém, ao tentar se levantar, surge uma dor de cabeça intensa e persistente. Movimentos simples, como tossir ou olhar para baixo, parecem piorar o desconforto.¹ 

Esse cenário pode indicar a cefaleia pós-raqui, uma complicação da anestesia raquidiana.¹ 

A dor ocorre quando há vazamento do líquido cefalorraquidiano, o que reduz a pressão dentro do crânio. Embora, na maioria dos casos, os sintomas desapareçam sozinhos, o impacto no bem-estar é grande.¹ 

Continue a leitura para entender por que essa anestesia causa dor de cabeça e como aliviar! 

Resumo: 

  • A cefaleia pós-raqui é uma dor de cabeça que pode surgir após a anestesia espinhal devido à perda de líquido cefalorraquidiano.¹
  • Essa condição acontece porque a aplicação da agulha cria um pequeno orifício que permite o vazamento desse líquido, o que reduz a pressão dentro do crânio e gera dor.¹
  • Fatores de risco incluem idade entre 20 e 40 anos, sexo feminino, baixo índice de massa corporal, parto normal, histórico prévio de cefaleia e características da técnica anestésica utilizada.¹,²
  • Como aliviar a dor de cabeça pós-raqui? O repouso, o uso de analgésicos, a ingestão moderada de líquidos e o consumo de cafeína costumam ajudar. Em casos mais graves, pode ser necessário recorrer a intervenções médicas, como o tampão sanguíneo epidural ou a infusão de solução salina.²,³ 

Conteúdos relacionados: 

O que é a cefaleia pós-raqui? 

A cefaleia pós-raqui é uma dor de cabeça que pode surgir depois da aplicação da anestesia raquidiana, também chamada de "raqui" ou anestesia espinhal.¹ 

Os médicos usam essa anestesia em diversas cirurgias ao injetar medicamentos na região da coluna na qual circula o líquido cefalorraquidiano, que protege o cérebro e a medula espinhal.¹ 

Por que essa anestesia causa dor de cabeça? 

Essa anestesia causa dor de cabeça porque, na aplicação, a agulha pode abrir um pequeno espaço pelo qual o líquido cefalorraquidiano escapa.¹ 

Com menos líquido disponível, a pressão dentro da cabeça diminui e provoca dor, principalmente quando a pessoa se levanta ou faz movimentos como tossir ou espirrar.¹ 

Esse tipo de cefaleia pode aparecer logo após a anestesia ou levar alguns dias para surgir. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem sozinhos em cerca de uma semana.¹ 

Apesar do desconforto, essa condição não costuma trazer riscos graves para a saúde.¹ 

‌Quais os fatores de riscos da cefaleia pós-raqui? 

A cefaleia pós-raqui pode ocorrer por diversos fatores que aumentam as chances de o líquido cefalorraquidiano vazar, reduzir a pressão dentro da cabeça e causar dor.¹,² 

Confira os principais riscos da cefaleia pós-raqui! 

Idade 

Pessoas entre 20 e 40 anos correm maior risco de cefaleia pós-raqui.¹,² 

Esse risco diminui progressivamente com o avanço da idade, sendo menor após os 50 anos. Com o envelhecimento, a membrana que envolve o líquido cefalorraquidiano se torna menos elástica, o que dificulta o vazamento.¹,² 

Sexo 

Mulheres têm maior probabilidade de sentir essa cefaleia do que os homens, sobretudo antes da menopausa.¹,² 

De acordo com estudos, esse risco pode estar relacionado a diferenças hormonais e à forma como as mulheres processam a dor.¹,² 

Índice de Massa Corporal (IMC) 

Pessoas com baixo IMC apresentam maior risco de cefaleia pós-raqui.¹,² 

Curiosamente, a incidência é menor em pessoas com obesidade mórbida, pois a gordura abdominal aumenta a pressão dentro do abdômen e reduz o vazamento do líquido cefalorraquidiano.¹,² 

Gravidez e parto 

Mulheres que passaram por um parto normal têm um risco maior de desenvolver a cefaleia.¹,² 

Essa questão pode ter relação com o aumento da pressão dentro do abdômen durante o trabalho de parto, às mudanças hormonais e à perda de líquidos no pós-parto.¹,² 

Histórico de cefaleia 

Pessoas que já tiveram cefaleia pós-raqui anteriormente correm maior risco de apresentar o problema novamente.¹,² 

Alguns pesquisadores sugerem que enxaquecas ou dores de cabeça crônicas podem aumentar essa predisposição, mas ainda não há consenso sobre essa questão.¹,² 

Técnica da anestesia 

A forma como os especialistas aplicam a anestesia influencia o risco da cefaleia.¹,² 

  • Agulhas mais finas e com ponta arredondada (como as do tipo Whitacre e Sprotte) diminuem o risco, enquanto agulhas maiores ou com ponta cortante aumentam as chances de vazamento do líquido cefalorraquidiano.¹,²
  • Inserir a agulha paralelamente às fibras da membrana que envolve o líquido cefalorraquidiano reduz o risco.¹,²
  • Cada tentativa adicional de introdução da agulha eleva o risco da cefaleia.¹,²
  • Algumas regiões da coluna favorecem o vazamento do líquido e aumentam a incidência da condição.¹,² 

Como aliviar a dor de cabeça pós-raqui? 

Mesmo que seja comum que esse tipo de dor de cabeça desapareça por conta própria, há alguns cuidados que você pode tomar para amenizar o desconforto! 

Adotar cuidados iniciais 

Comece com o simples. Essas são as recomendações primárias para amenizar a dor de cabeça:²,³ 

  • deitar-se e evitar a posição ereta reduz temporariamente os sintomas;²,³
  • tomar analgésicos comuns pode aliviar a dor;²,³
  • beber líquidos na quantidade normal evita que a desidratação piore os sintomas. Porém, o excesso força a pessoa a se levantar para urinar, o que piora a condição.²,³ 

Consumir cafeína 

A cafeína pode reduzir a cefaleia pós-raqui porque contrai os vasos sanguíneos dentro do crânio. Médicos costumam recomendar:³ 

  • cafeína oral, por meio de comprimidos ou café forte;³
  • cafeína intravenosa, com 300 mg a 500 mg diluídos em soro e administrados em uma hora.³ 

Apesar de proporcionar alívio, nem sempre a cafeína resolve o problema de forma definitiva e a dor pode voltar.³ 

Aplicar um tampão sanguíneo epidural 

Se a dor persistir, os médicos podem usar um tampão sanguíneo epidural.²,³ 

Nesse procedimento, o anestesiologista retira 10 a 30 ml do sangue do próprio paciente e o injeta no espaço epidural da coluna. O sangue se espalha e forma um "remendo" no local da aplicação, o que impede a saída do líquido cefalorraquidiano.²,³ 

Essa opção reduz a dor em 75% a 90% dos casos e pode ser repetido se necessário. O tampão sanguíneo epidural representa o tratamento mais eficaz para casos graves e continua sendo a melhor opção disponível.²,³ 

Injetar solução salina no espaço epidural 

Se o tampão sanguíneo não for uma opção, os médicos têm a alternativa de injetar solução salina no espaço epidural. O procedimento aumenta a pressão e reduz o vazamento do líquido cefalorraquidiano.²,³ 

Apesar de ajudar, essa técnica de como aliviar a dor de cabeça pós-raqui exige o uso de um cateter epidural por alguns dias e apresenta menor eficácia do que o tampão sanguíneo.²,³ 

Neosaldina serve para cefaleia pós-raqui? 

Neosaldina pode ser um analgésico aliado no combate à dor de cabeça pós-raqui com ação a partir de 15 minutos. Sua composição inclui dipirona, mucato de isometepteno e cafeína, princípios ativos que atuam de maneira complementar para reduzir o desconforto.⁴ 

A dipirona diminui a percepção da dor, enquanto o isometepteno contrai os vasos sanguíneos dilatados na cabeça, um dos fatores que contribuem para esse problema.¹,⁴ 

Já a cafeína, conhecida por sua ação vasoconstritora, pode reverter a dilatação das veias intracranianas e fornecer alívio temporário.¹,⁴ 

Como você viu ao longo deste artigo, é possível que este tipo de anestesia cause dor de cabeça. Se o desconforto for moderado e não houver contraindicações, a Neosaldina serve para cefaleia pós-raqui como um recurso inicial.¹,⁴ 

No entanto, diante de sintomas intensos ou duradouros, busque atendimento médico para garantir um tratamento adequado e uma recuperação tranquila.¹,⁴ 

 

Neosaldina. Comprimido revestido. dipirona, mucato de isometepteno, cafeína. Indicações: analgésico e antiespasmódico para o tratamento de diversos tipos de dor de cabeça, incluindo enxaqueca ou para o tratamento de cólicas. MS 1.7817.0899. SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO. Março/2025. 

Neosaldina Comprimido

Sobre o autor

Dr. Márcio de Queiroz Elias

Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Santo Amaro em 1994, com residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, concluída em 1996. Atuou na liderança de unidades hospitalares e maternidades entre 2004 e 2005, onde adquiriu sólida vivência em gestão médico-hospitalar.

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